domingo, 7 de novembro de 2010


CRISTIANISMO NO JAPÃO (KIRISHITAN - 吉利支丹)

O Cristianismo chegou no Japão durante o período conhecido por Nanban (1543-1641), quando houve grande comércio com exploradores europeus. O Cristianismo é chamado no Japão pelo termo Kirishitan, cunhado no período Edo (1603-1868), quando foi uma religião proibida.

Em 1549, o Jesuíta Franscisco Xavier chegou ao Japão como representante do rei de Portugal. Com a ajuda de Anjiro, ou Paulo de Santa Fé, quem conheceu em Goa, Índia, e que atua como tradutor, se estabelece em Kagoshima, onde foi hospedado pela família de Anjiro.

Em 1542, o chefe do clan Shimazu, Takahisa Shimazu, já havia recebido comerciantes portugueses na ilha de Tanegashima, onde aprendeu sobre o uso de armas de fogo. Então, com a chegada de Xavier, o recebeu no castelo de Uchiujijo. Porém, Takahisa, embora tenha dado liberdade de religião, não ajudou os missionários nem lhes proporcionou o pretendido contato com o imperador, o que fez com que Xavier rumasse para Yamaguchi.

Em Yamaguchi, onde Xavier permaneceu dois meses em seu caminho para uma frustrada audiência com o Imperador em Kyoto, o Catolicismo foi recebido como uma nova seita budista. Entretanto, o interesse pelo Cristianismo não foi tão grande quanto pelas cargas portuguesas vindas de Macao. Mesmo assim, Xavier foi permitido pregar na ruas de Yamaguchi, onde lia traduções de catequismo. Suas pregações utilizavam-se de imagens de Jesus e da Virgem Maria, além de condenar o infanticídio, a idolatria e o homossexualismo (largamente aceito na época).

Os japoneses tiveram dificuldade de aceitar a idéia de que um Deus, criador de tudo, inclusive o mal, seja bom. Além de não aceitarem a idéia de que seus ancestrais estivessem no inferno.

Xavier referia-se ao Deus cristão por “Dainichi”, a fim de adaptar seus ensinamentos às tradições locais. Porém, após começar a utilizar a palavra Deus, os monges Shingon, que o haviam recebido, tornaram-se agressivos por perceberem que ele ensinava uma religião rival.

Entretanto, o trabalho de Xavier no Japão, por mais de dois anos, mostrou-se produtivo, pois seus sucessores Jesuítas estabeleceram-se e foram bem aceitos. Gaspar Vilela, em 1559, obteve de Ashikaga Yoshiteru a mesma licença dada aos templos Budistas para ensinar o Cristianismo e muitos Daimyos (generais de províncias) foram convertidos.

Cerca de 130.000 japoneses foram convertidos pelos Jesuítas, pois os Portugueses se aproveitaram da falta de controle central provocado pela guerra civil entre os Shoguns. Com a reunificação promovida por Totoyama Hideyoshi, o Cristianismo passou a ser visto como uma ameaça de colonização. Após invadir Hyushu, Hideoshi determinou o fim do comércio de japoneses como escravos e o banimento de missionários, porém não foi bem sucedido, pois apenas os Jesuítas, armados, foram restringidos, entretanto, os Dominicanos, Franciscanos e Augustinos continuaram a pregar livremente.

Perto do fim da Batalha de Sekigahara, 1600, que resultou na tomada do poder pelo Shogunato Tokugawa, quinze daimyo tinham sido batizados e os domínios cristãos haviam sido espraiados de Hyuga, sudeste de Kyushu até Dewa, norte de Honshuu.

Em 1614, a declaração de “Expulsão de todos os missionários” foi o primeiro passo no banimento do Catolicismo, afirmava que os Cristãos traziam desordem à sociedade japonesa. A declaração foi completamente implementada e tornou-se uma das leis fundamentais do Shogunato. Os templos Budistas serviram de centros de controle, e em 1630 produziam certificados de afiliação religiosa como prova de lealdade ao regime. Na metade do século 17, todos os missionários foram expulsos e os convertidos executados publicamente, o que marcou o fim do Christianismo livre no Japão.

sábado, 9 de outubro de 2010

LITERATURA: TOSA NIKKI (Diário de Tosa)


O Diário de Tosa foi escrito no ano de 935 d.C. por Ki no Tsurayuki, um nobre de alta linhagem. Ele havia sido indicado para governador da província de Tosa, em Shikoku, em 930, o primeiro ano do reinado do Imperador Suzaku, e seu diário é uma descrição de sua jornada de retorno pelo mar de Kyoto, que era a capital do Japão. A distância total é de pouco mais de 320km, mas naquela época isso era considerado um feito nada pequeno, e, como mostra o diário, levou 55 dias para ser cumprida; esse período, no entanto, inclui muitas longas paradas no caminho, incluindo um atraso de 10 dias em Õminato.
Ki no Tsurayuki foi um famoso escritor tanto por prosa quanto por verso. Ele contribuiu na compilação do Kokinshu, reunião de poemas japoneses, escrevendo o prefácio, considerado o início da crítica literária no Japão. O Diário de Tosa, no entanto, tem um tom diferente de suas obras anteriores, pois é composto com uma simplicidade e um humor delicado surpreendentes para um nobre japonês do século 10.
Dr. Aston em seu História Literatura Japonesa escreve: "O Diário de Nikki é um ótimo exemplo da importância do estilo. Pois não conta nenhuma aventura excitante ou situações românticas, não há máximas inteligentes ou técnicas novelescas elaboradas; seu único mérito está em descrever com simplicidade, porém com elegância, com uma divertida veia humorística, a vida ordinária de um viajante no Japão de sua época. Entretanto, apenas isso bastou para classificar o livro entre os clássicos da literatura japonesa, e garantiu sua longevidade para chegar a nossa época como um dos mais estimados modelos de composição de estilo japonês nativo.
Em uma época em que a escrita Japonesa usava a combinação de ideogramas com escrita fonética, Ki no Tsurayuki abre seu diário anunciando que apenas usará a escrita fonética. Para justificar esse uso de escrita, que era considerada própria das mulheres da época, ele escreve em seu diário utilizando-se de uma personagem feminina, referindo-se a si mesmo apenas em terceira pessoa.

FONTE: http://books.google.com.br/books?id=WkfQZ6XKcJAC&printsec=frontcover&dq=tosa+nikki&source=bl&ots=79wgbLmABk&sig=KsUVqL8qBveuwA7jd7Mj9OwaCck&hl=pt-BR&ei=NcSwTKOeD8KC8gazqvGdCQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=6&ved=0CDkQ6AEwBQ#v=onepage&q=tosa%20nikki&f=false

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

HAIKU

O haiku (ou haikai) é uma forma de poesia japonesa que consiste de 17 moras, divididas em três versos de 5, 7 e 5 moras respectivamente. Ainda há a definições do haiku como contendo 17 sílabas, porém existem silabas com mais de um mora ("cat" em inglês, por exemplo, contém dois moras), o que torna a convenção de haiku com 17 sílabas apenas aplicável para fins de adaptação à contagem silábica ocidental.
Um haiku tradicionalmente coném um kigo, palavra ou frase que define a estação do ano do poema, mesmo que de maneira indireta.
Um dos mais famosos autores de haiku foi Matsuo Bashō (1644-1694), que em sua época foi reconhecido por suas colaborações nos haikai no renga, forma de poesia colaborativa em que cada poeta recitava um poema com 17 ou 14 sílabas, sendo apenas posteriormente apontado pela crítica como mestre do kaiku, com sua obra reproduzida em monumentos e em locais tradicionais no Japão.

fonte:http://en.wikipedia.org/wiki/Haiku


Assista ao vídeo abaixo com uma reportagem sobre o haiku.


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Religião


SHINTO (Xintoísmo)



Shinto é a espiritualidade autóctone do Japão e do povo japonês. É um conjunto de práticas a serem conduzidas de forma cuidadosa a fim de estabelecer contato entre o presente e o passado desse povo.

(Fushimi Inari - Portão Principal, um dos mais antigos templos no Japão)

A palavra Shinto significa "O Caminho dos Deuses", do Chinês "Shin"= deus e "do(to)"= caminho.


KAMI:
O Shinto ensina que tudo contém kami (essência espiritual, também traduzida como deus ou espírito). O conceito de Kami é geralmente aceito para descrever as inatas forças sobrenaturais que estãoa cima das ações dos homens, o reino sagrado, inclusive deuses, figuras espirituais, incluindo ancestrais humanos. Todas as figuras mitológicas da cultura tradicional japonesa são consideradas kami para os propósitos da fé Shinto, incluindo Buda, Jesus Cristo, deuses Hindus e o Alah islâmico.


Crenças:
  • Impureza: o Shinto ensina que certas ações podem levar a uma impureza ritual que deve ser eliminada a fim de se obter paz de espítito e boa sorte. Não existem pecados, apenas ações consideradas impuras. Por exemplo, se uma pessoa se fere em um templo, aquele local deve ser purificado antes da realização de qualquer outro ritual.



  • Purificação: A principal forma de purificação Shinto chama-se Misogi, a qual consiste em utilizar-se de água corrente, especialmente em quedas d'água. Para esse ritual, homens e mulheres usam faixas na cabeça, o homem veste o Fundochi (uma espécie de roupa de baixo) e as mulheres vestem o Kimono.



  • Vida após a morte: É muito comum as famílias japonesas participarem de cerimônias para crianças em templos shinto, ams enterrarem seus mortos em uma cerimônia Budista. Porém, o conceito de pós-vida japonês pode tomar um rumo completamente à parte ao Budismo. Nas antigas lendas japonesas é afirmado que os mortos vão para um lugar chamado Yomi, um umbroso reino subterrâneo onde há um rio separando os vivos dos mortos, muito semelhante ao mito grego do reino de Hades.

Diversamente de muitas religiões, ninguém precisa professar-se xintoísta para ser considerado integrante do Shinto. Sempre que uma criança nasce, seu nome é acresentado a uma lista mantida pelo templo Shinto local, assim considerada uma "criança familiar (ujiko)" que após a morte será considerada "espírito familiar (ujigami)". Os nomes podem ser acrescentados às listas sem o consentimento da família, porém isso não é considerado uma imposição da crença shinto, apenas um gesto de boas-vindas ao "kami" local, com a promessa de integrar o "kami" pós-morte.

Atualmente há cerca de 119 milhões de praticantes do Shinto no Japão, embora a maioria deles também seja adepto do Budismo, dada a característica sincrética de ambas as crenças em terras nipônicas.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mito Fundador do Japão



O mito de craiação das ilhas que formam o arquipélago japonês tem origem na religião Shinto, originária do próprio povo japonês, sendo a única religião autóctone, já que o Budismo e outras religiões importantes na formação cultural japonesa têm origem externa.

Segundo o mito shintoísta, dois deuses, Izanagi-no-Mikoto (homem) e Izanami-no-Mikoto (mulher), receberam um chamado para criar uma nova terra que seria o Japão. Para isso, eles receberão uma lança, com a qual agitaram a água, após retirarem a lança da água uma gota caiu no nada onde se criou uma ilha.

Nessa ilha, eles passaram a viver e criaram um palácio onde havia um largo poste. Quando quiseram procriar, realizaram um ritual ao redor do poste, homem à esquerda, mulher à direita, a mulher cumprimentando o homem antes.

Eles tiveram dois filhos(ilhas) que nasceram errado e mandados embora. Disso concluíram que haviam realizado o ritual de maneira errada. Então resolveram fazer tudo novamente, seguindo as leis da natureza, com o homem cumprimentando a mulher antes. Desse novo ritual, nasceram 8 perfeitas ilhas do arquipélago japonês.

Depois das ilhas, eles deram luz ao Kami (Deus, essência, espírito).

Após, Izanami-no-Mikoto morre e Izanagi-no-Mikoto tenta revivê-la, porém sofre terríveis consequências por tentar quebrar as leis da vida.


Esse mito justifica o quanto é importante a religião Shinto na cultura japonesa no que se refere a sua identificação com a terra em que nasce, pois a mesma tem origem divina. Além disso, o poder político de origem divina até hoje é ligado aos deuses Shinto, pois todos os imperadores do Japão de alguma forma justificaram sua importância por descenderem diretamente de deuses.

Ainda pode-se perceber no mito a importãncia dos rituais na religião Shinto, nos quais deve-se respeitar as leis naturais e evitar qualquer profanação.