CRISTIANISMO NO JAPÃO (KIRISHITAN - 吉利支丹)
O Cristianismo chegou no Japão durante o período conhecido por Nanban (1543-1641), quando houve grande comércio com exploradores europeus. O Cristianismo é chamado no Japão pelo termo Kirishitan, cunhado no período Edo (1603-1868), quando foi uma religião proibida.
Em 1549, o Jesuíta Franscisco Xavier chegou ao Japão como representante do rei de Portugal. Com a ajuda de Anjiro, ou Paulo de Santa Fé, quem conheceu em Goa, Índia, e que atua como tradutor, se estabelece em Kagoshima, onde foi hospedado pela família de Anjiro.
Em 1542, o chefe do clan Shimazu, Takahisa Shimazu, já havia recebido comerciantes portugueses na ilha de Tanegashima, onde aprendeu sobre o uso de armas de fogo. Então, com a chegada de Xavier, o recebeu no castelo de Uchiujijo. Porém, Takahisa, embora tenha dado liberdade de religião, não ajudou os missionários nem lhes proporcionou o pretendido contato com o imperador, o que fez com que Xavier rumasse para Yamaguchi.
Em Yamaguchi, onde Xavier permaneceu dois meses em seu caminho para uma frustrada audiência com o Imperador em Kyoto, o Catolicismo foi recebido como uma nova seita budista. Entretanto, o interesse pelo Cristianismo não foi tão grande quanto pelas cargas portuguesas vindas de Macao. Mesmo assim, Xavier foi permitido pregar na ruas de Yamaguchi, onde lia traduções de catequismo. Suas pregações utilizavam-se de imagens de Jesus e da Virgem Maria, além de condenar o infanticídio, a idolatria e o homossexualismo (largamente aceito na época).
Os japoneses tiveram dificuldade de aceitar a idéia de que um Deus, criador de tudo, inclusive o mal, seja bom. Além de não aceitarem a idéia de que seus ancestrais estivessem no inferno.
Xavier referia-se ao Deus cristão por “Dainichi”, a fim de adaptar seus ensinamentos às tradições locais. Porém, após começar a utilizar a palavra Deus, os monges Shingon, que o haviam recebido, tornaram-se agressivos por perceberem que ele ensinava uma religião rival.
Entretanto, o trabalho de Xavier no Japão, por mais de dois anos, mostrou-se produtivo, pois seus sucessores Jesuítas estabeleceram-se e foram bem aceitos. Gaspar Vilela, em 1559, obteve de Ashikaga Yoshiteru a mesma licença dada aos templos Budistas para ensinar o Cristianismo e muitos Daimyos (generais de províncias) foram convertidos.
Cerca de 130.000 japoneses foram convertidos pelos Jesuítas, pois os Portugueses se aproveitaram da falta de controle central provocado pela guerra civil entre os Shoguns. Com a reunificação promovida por Totoyama Hideyoshi, o Cristianismo passou a ser visto como uma ameaça de colonização. Após invadir Hyushu, Hideoshi determinou o fim do comércio de japoneses como escravos e o banimento de missionários, porém não foi bem sucedido, pois apenas os Jesuítas, armados, foram restringidos, entretanto, os Dominicanos, Franciscanos e Augustinos continuaram a pregar livremente.
Perto do fim da Batalha de Sekigahara, 1600, que resultou na tomada do poder pelo Shogunato Tokugawa, quinze daimyo tinham sido batizados e os domínios cristãos haviam sido espraiados de Hyuga, sudeste de Kyushu até Dewa, norte de Honshuu.
Em 1614, a declaração de “Expulsão de todos os missionários” foi o primeiro passo no banimento do Catolicismo, afirmava que os Cristãos traziam desordem à sociedade japonesa. A declaração foi completamente implementada e tornou-se uma das leis fundamentais do Shogunato. Os templos Budistas serviram de centros de controle, e em 1630 produziam certificados de afiliação religiosa como prova de lealdade ao regime. Na metade do século 17, todos os missionários foram expulsos e os convertidos executados publicamente, o que marcou o fim do Christianismo livre no Japão.


